A Sociedade Egípcia

Facebook Twitter Email Pinterest Plusone Linkedin Digg Delicious Reddit Stumbleupon Tumblr Posterous

A Sociedade Egípcia

 

O antigo Egito era composto por classes de pessoas que iam desde o soberano Faraó até escravos capturados em guerra. Vivia-se em uma Monarquia Teocrática. Se comparada com a maioria das culturas da época, a sociedade egípcia era mais liberal. Um homem que nascia em uma camada inferior, apesar de raro, poderia alcançar grandes postos em sua vida.

 

“[...]Os relevos e as pinturas das tumbas proporcionam grande riqueza de materiais; embora apenas os membros da classe alta da sociedade fossem enterrados em tumbas amplas e decoradas, as cenas subsidiárias não deixam de proporcionar vislumbres da vida do povo simples. Vislumbres que são completados com modelos e objetos funerários de uso cotidiano, que freqüentemente fazem parte do equipamento fúnebre; achados como esses são menos frequentes nas escavações de povoados. Os textos literários e administrativos de papiros e óstracos são de um valor inestimável, pois proporcionam detalhes que não poderiam ser obtidos de outras fontes.” (BAINES; MALIK, 2008, p. 190)

 

Vida cotidiana - Tumba do Escriba Menna (TT69) da 18ª Dinastia - Acervo Pessoal.

Vida cotidiana – Tumba do Escriba Menna (TT69) da 18ª Dinastia – Acervo Pessoal.

 

A Pirâmide social visa ilustrar as camadas da sociedade egípcia da base até o topo. Abaixo segue uma classificação que resume a maioria das publicações existentes.

 

A Pirâmide Social

 

FARAÓS:

O Faraó tinha poder absoluto e era considerado um deus vivo na Terra. Ele era dono de todo o Egito, chefe da administração, dos cultos religiosos e também comandava o exército. Tinha como principais funções/responsabilidades manter a ordem e a justiça na sociedade. Caso não cumprisse com suas obrigações, teria como punição a morte (desaparecimento) eterna.

NOBREZA:

Nessa classe enquadravam-se os Viziers (pessoas ligadas diretamente ao Faraó), os Sacerdotes, os oficiais do exército e as suas famílias. Nessa classe a Rainha era escolhida e, apesar de o Faraó ter muitas esposas, apenas ela tinha o poder real. O casamento era feito entre parentes, a fim de manter o sangue “azul” da Dinastia.

ESCRIBAS:

Considerada uma classe muito importante, os Escribas eram os únicos que poderiam seguir carreira como administradores ou ingressar no serviço público. A escrita servia para o registro de tudo que acontecia no cotidiano egípcio e devido a ela é que conhecemos um pouco da história dos habitantes das margens do Nilo.

OS SOLDADOS:

Essa classe era pequena e sua principal função era garantir a segurança do território, fazendo quando preciso escolta nas expedições aos países vizinhos. Posteriormente, devido às invasões e à necessidade de uma defesa mais sólida, o exército e a tecnologia em combate foram aumentando.

OS ARTESÃOS:

Essa classe era formada por pessoas com habilidades em todos os tipos de artesanato. Alguns trabalhavam em aldeias e produziam artefatos para o comércio local. Já os mais habilidosos eram convocados a trabalhar para o Faraó ou para a classe da nobreza.

OS CAMPONESES:

Essa classe era formada pela maior parte dos antigos egípcios. Eram pessoas que trabalhavam nas lavouras a fim de gerar todo o sustento necessário. Ficavam com uma parte do que era cultivado, mas a grande maioria arrecadada permanecia com os donos das terras (Nobres ou Faraó).

OS ESCRAVOS:

Estudiosos divergem quanto à existência dessa classe no antigo Egito. Mas o que se tem de mais concreto é que os escravos eram pessoas capturadas em guerra e serviam como mão de obra. Eram uma minoria, já que em toda a história egípcia poucas foram as guerras, em comparação a outras civilizações.

 

Gráfico da Pirâmide Social Egípcia

 

A prática de cobrar uma grande fatia dos camponeses (que eram a maioria da civilização) era algo comum. O Vizir era a pessoa responsável por controlar os impostos, sendo dos Escribas a função de calcular a produção e as taxas e comunicar ao Vizir os números obtidos, para que este mantivesse diariamente o Faraó informado.

Os principais produtos taxados eram o gado e os grãos em geral. Por estarem à mostra dos funcionários do Estado, tornava-se fácil controlar tais produtos, o que não ocorria em áreas sem tanta visibilidade. Os estrangeiros que eram derrotados em batalhas também pagavam taxas. O imposto servia para enriquecer ainda mais o tesouro real e permitir ao Monarca ter recursos suficientes para criar monumentos e aumentar ou construir novos Templos em homenagem aos deuses.

* Representação da vida cotidiana do antigo Egito – Vila Faraônica (Cairo) / Acervo Pessoal.

 

 

A Lei egípcia também era algo bem marcante na sociedade. No antigo Egito, Maat era a Deusa da verdade, da ordem e da justiça. O sistema de leis era feito para todos e se mostrava muito justo. Apenas os escravos não eram bem-vindos nos tribunais. Ricos, pobres e mulheres tinham direitos iguais perante os juízes. Suborno era uma prática comum na época, mas totalmente condenada pelo tribunal.

 

“Se um egípcio não pode provar seu argumento no tribunal, poderá apelar para um Deus local, quando sua estátua estiver desfilando pela cidade (em anos anteriores ela ficava no tribunal). Você poderia gritar seu problema para ele “Senhor, quem roubou meu boi?” ou “Quem mudou as pedras demarcatórias?”, por exemplo. A estátua poderá inclinar a cabeça em frente a porta do ladrão.” (MORLEY; DAVID, 1999, p. 33)

 

O Faraó também tinha a responsabilidade de ser um bom governante, sob pena de não ganhar a vida eterna. Nem ele era poupado da justiça (nesse caso uma justiça divina) perante a sociedade. Entenda o processo pelo qual o Faraó passava após a sua morte no tribunal de Osíris, clicando aqui.

 

Quer mais livros sobre o tema? Clique aqui.

Artigos, teses e matérias sobre o antigo Egito? Clique aqui.

 

Autor: Lucas Ferreira

 

Fontes / Referências:

- BAINES, John; MALIK, Jaromir. Cultural Atlas of Ancient Egypt. London: Andromeda Oxford Limited, 2008.

- HART, George. The British Museum Pocket Dictionary of Ancient Egyptian Gods and Goddesses. British Museum Press, 2001.

- MCDONALD, Angela. The Ancient Egyptians: Their Lives and Their World. Published by The British Museum Press, 2008.

- MILLARD, Anne. The Egyptians (Peoples of the past). London: MacDonald & Company, 1975.

- MORLEY, Jacqueline; SALARIYA, David. How Would You Survive As an Ancient Egyptian?.  London: Orchard/Watts Group, 1999.

- SHAW, Ian. The Oxford Illustrated History of Ancient Egypt. Oxford: Oxford University Press, 2000.

 

Sites / Referências:

- http://www.reshafim.org.il/ad/egypt/

- http://www.oxfordexpeditiontoegypt.com/

- http://scriptorium.lib.duke.edu/papyrus/

 


Links Relacionados, Confira..


avatar

Sobre Administrador

Natural de Criciúma – SC, Pós-Graduado em História pela UNIASSELVI – SC, com ênfase no Antigo Egito. Escritor do Livro "A Lei do Sofrimento". Apaixonado pelo Antigo Egito e com planos de em breve estar definitivamente morando/trabalhando no Egito.