Mito de Ísis e Osíris

Foi uma das principais crenças religiosas egípcias e fazia parte dos ritos funerários. Nenhuma cópia completa do mito egípcio de Ísis e Osíris existe, mas a melhor versão antiga vem de Plutarco, um sacerdote grego de Delfos, que escreveu “De Iside Et Osiride” por volta de 100 d.C. Os dois principais deuses, Ísis e Osíris, foram irmãos, marido e mulher.

Osíris trouxe a civilização para o Egito através da introdução da agricultura e da criação de gado para os primeiros habitantes do Nilo. Ísis ensinou para o povo a arte da tecelagem. Osíris queria também levar a agricultura e a pecuária para povos vizinhos e encarregou Ísis de vigiar o povo do Egito.

 

“Irmã e esposa de Osíris, a deusa Ísis foi objeto de uma admiração fervorosa pelas multidões – não somente no Egito, mas em todo o mundo antigo. Para todos, mostra-se mãe compassiva, sensível às tristezas humanas e capaz de compartilhá-las […] Frequentemente, os egípcios a representavam em companhia de seus filho Hórus[…]” (QUESNEL, 1993, p.11)

 

Quando Osíris retornou ao Egito depois de levar a agricultura a outros povos, Seth o recebe muito bem, já pensando em deixar de ser a sombra de seu irmão Osíris. Enquanto conversa com seu irmão, Seth vai tirando as medidas de Osíris que vão servir para a armadilha que ele pretende fazer. Com as medidas em mãos, Seth então manda construir uma caixa bonita de madeira com as mesmas medidas de Osíris. Logo em seguida, Osíris é convidado para um banquete organizado por Seth como parte de seu plano em assassinar o deus. Chegado a hora, Seth pedi que lhe traguem a caixa feita especialmente para Osíris e anuncia que a pessoa que conseguir ficar dentro dela, receberá ela como presente. Os capangas de Seth entram um a um na caixa a fim de enganar Osíris, até que chega a vez do próprio  experimentar a caixa. Osíris então deita nela e nesse instante os cúmplices de Seth, pulam sobre a tampa e trancam Osíris. A caixa é então jogada no rio Nilo.

 

Representação de Ísis ressuscitando Osíris – Acessado de: http://mattstephanie011.files.wordpress.com/2008/09/osiris-rebirth.jpg

 

Seth conseguiu o almejado e assumiu o trono que era de Osíris, não satisfeito ele ainda sai em perseguição aos amigos do deus. Para escapar de Seth; Thoth, Anúbis e os outros deuses transformam-se em animais. Ísis não consegue parar de chorar com o destino de Osíris, mas como os outros ela também precisava achar um local seguro para se proteger. Ísis carregava consigo o filho de Osíris; Hórus. Depois de fugir de Seth e de enfrentar todos os tipos de males mandado por ele para capturá-la, Ísis continua sua caminhada para encontrar um lugar em que possa dar a luz ao seu filho. Depois de encontrado o lugar, Ísis vai atrás do corpo de Osíris, mas antes confia a guarda de Hórus para a deusa-cobra Wadjet. A tarefa de Ísis não parece ser nada fácil, já que ela não tinha pistas sobre o paradeiro do corpo de Osíris.

Ondas fortes jogaram a caixa com o corpo de Osíris às margens de Biblos na Fenícia (atual Líbano) e ela ficou encostada numa árvore que com o passar do tempo cobriu toda a caixa com galhos e folhas. O rei de Biblos chamado Malacander precisava de algumas árvores grandes para a construção de seu palácio e acabou cortando a árvore que estava a caixa com o corpo de Osíris para tal função. Enquanto procurava Osíris, Ísis teve uma visão que lhe mostrou onde estava a caixa com o corpo de seu marido. Ao saber que o corpo de Osíris estava em um pilar no palácio, Ísis trata rapidamente de fazer amizade com as servas da rainha. A rainha tinha tido um filho recém nascido e Ísis pediu para vê-lo e se tornou babá da criança. Em um dia quando Ísis realizava alguns rituais para transformar o pequeno em um ser imortal, a rainha vai até o quarto e vê a cena horrorizada, gritando alto, que faz o encanto de Ísis se quebrar.

 

“Culpado do covarde assassinato de Osíris, Seth aparece como um ser maléfico. No princípio, não era considerado odioso nem repulsivo. É verdade que aquele que os egípcios chamavam “deus vermelho” sempre foi considerado um ser violento e temperamental. Mas suas qualidades combativas pareciam estar ligadas à valentia e à coragem. Assim, nas versões mais antigas do mito solar podemos ver Seth brandindo uma lança e postado na proa da barca de Rá, combatendo a horrível serpente Apópis. À medida que se difunde a lenda de Osíris no Egito, entretanto, a imagem desse guerreiro leal e brilhante vai degradando-se, até que o assassino de Osíris acaba por encarnar o espírito do mal.” (QUESNEL, 1993, p.12)

 

O rei e a rainha ficaram espantados com a situação, mas puderam perceber que a pessoa que eles abrigaram em seu palácio era uma deusa. Com o intuito de agradar Ísis, o rei concedeu a ela um pedido. Ísis sem pensar duas vezes pediu ao rei que lhe desse o tronco de árvore esculpido agora em formato de um grande pilar. Com o pilar em mãos, Ísis volta ao Egito para realizar um funeral digno a Osíris e esconde a caixa com o corpo em meio a vegetação do Nilo. Mas antes passa no local em que tinha deixado Hórus para revê-lo. Ao voltar para as margens do Nilo, Ísis recebe a notícia de que os ajudantes de Seth teriam localizado a caixa com o corpo de Osíris e levado até Seth, que enfurecido cortou-o em quatorze pedaços e espalhou em diversos pontos do Delta.

Ísis não se conforma e chora muito por Osíris, entretanto ela não desiste e sai em busca dos pedaços do deus e encontra todos exceto um que foi devorado por peixes no Nilo. Com os pedaços reunidos, Ísis é ajudada por Néftis que começam a fazer vários rituais e pedidos para que Osíris volte a vida. Anúbis aparece para ajudar. Ele tem o poder de não deixar o corpo apodrecer e após juntar os pedaços de Osíris, ele o embalsama. Ísis e Néftis se transformam em uma grande ave e começam a bater suas asas em cima da múmia de Osíris e finalmente ele abre o olho. Osíris volta a vida e se torna o senhor do submundo (reino dos mortos).

Desse mito, podemos concluir de onde vem os sarcófagos que os egípcios usavam para seus enterros e principalmente a importância que davam para o corpo estar em perfeitas condições, já que o morto usaria o mesmo corpo para a vida pós morte. Por isso o processo de mumificação era considerado um ritual sagrado e que assegurava junto com outras etapas a certeza de uma outra vida.

 

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Autor: Lucas Ferreira

 

Fontes / Referências:

– BAINES, John; MALIK, Jaromir. Cultural Atlas of Ancient Egypt. London: Andromeda Oxford Limited, 2008.

– BUDGE, Wallis. Osiris, The egyptian religion of resurrection. Publisher: University Books, 1961.

– QUESNEL, A et al. O Egito: Mitos e Lendas. Editora: Ática, 1993.

– REMLER, Pat. Egyptian Mythology A to Z. 3. ed. Publisher: Chelsea House, 2010.

Sites / Referências:

http://www.oxfordexpeditiontoegypt.com/

http://scriptorium.lib.duke.edu/papyrus/

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Sobre Administrador

Natural de Criciúma – SC, Graduado e Pós-Graduado em História pela UNIASSELVI – SC, com ênfase no Antigo Egito. Apaixonado pelos antigos egípcios e com planos de em breve estar definitivamente morando/trabalhando no Egito.