A batalha entre Hórus e Seth

Como visto no mito de Ísis e Osíris, Seth, irmão de Osíris, o assassinou para ficar com o seu trono. Hórus, não conformado com tamanha injustiça, resolveu travar uma batalha contra Seth para ter de volta o trono que era de seu pai, Osíris.

Hórus e Seth montaram um verdadeiro exército para a batalha e diversos confrontos sangrentos duraram por muito tempo. Em um último combate, Hórus encontrou Seth no meio de seu exército e o atacou. Seth tentou fugir do local e Hórus não o deixou escapar, travando assim outro duelo em que, dessa vez, Seth arrancou um olho de Hórus.

 

Representação da batalha de Hórus e Seth – criado por Red-Flare. Acessado de: http://red-flare.deviantart.com/art/Battle-for-the-Throne-209050694

 

A batalha não teve um vencedor e poderia durar por milhares de anos. Vendo isso, os deuses resolveram interromper os sucessivos confrontos e chamaram ambos para o tribunal. As batalhas não pararam. Ísis, que era irmã de Seth, em uma das batalhas sentiu pena dele, abrindo um espaço enorme para a fúria de Hórus, que como resposta arrancou a cabeça de sua própria mãe. Thoth, o deus da escrita, interveio no conflito curando Ísis, Seth, Hórus e dando início à sessão de julgamento. Uns defendiam que Seth deveria ser o governante do Egito por ser mais velho que Hórus, enquanto outros defendiam que Hórus seria o legítimo dono do trono, já que era filho de Osíris e Ísis. Thoth então decidiu que o justo seria Hórus governar o Egito (há algumas variações da sentença).

 

“O personagem Hórus desempenha papel de destaque na civilização egípcia. A lenda sobre ele, no entanto, não é totalmente conhecida. Segundo alguns relatos Hórus nasceu pouco depois da morte de Osíris. Segundo outros, depois da ressurreição de seu pai. Também existem diferentes versões sobre o combate com Seth. Aliás o resultado dessa batalha variou ao longo de toda a história egípcia. A narrativa mais antiga chega à partilha do Egito entre Hórus e Seth. Mais tarde, no Novo Império, Hórus é apresentado como o deus soberano que unificou o país. Assim, os faraós são considerados descendentes de Hórus. Sua coroa, o pschent, reúne o branco e o vermelho, a cobra e o abutre, representando o delta e o alto Egito. Portanto esse relato mítico contaria as origens do Egito e sua unificação…” (QUESNEL, 1993, p.17)



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Autor: Lucas Ferreira



Fontes / Referências:

– BAINES, John; MALIK, Jaromir. Cultural Atlas of Ancient Egypt. London: Andromeda Oxford Limited, 2008.

– QUESNEL, A et al. O Egito: Mitos e Lendas. Editora: Ática, 1993.

– REMLER, Pat. Egyptian Mythology A to Z. 3. ed. Publisher: Chelsea House, 2010.

Sites / Referências:

http://www.oxfordexpeditiontoegypt.com/

http://scriptorium.lib.duke.edu/papyrus/

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Sobre Administrador

Natural de Criciúma – SC, Graduado e Pós-Graduado em História pela UNIASSELVI – SC, com ênfase no Antigo Egito. Apaixonado pelos antigos egípcios e com planos de em breve estar definitivamente morando/trabalhando no Egito.