Calendário Egípcio

O Calendário Egípcio

 

Os primeiros calendários criados pelos egípcios eram totalmente baseados nos ciclos da Lua, porém esse sistema não conseguia prever as inundações anuais do rio Nilo, um acontecimento de extrema importância para a sobrevivência egípcia na época. Começaram, então, a notar que as cheias do Nilo coincidiam com o surgimento helíaco da estrela Sirius, pertencente à constelação de Canis Major (Cão Maior).

Quando o Sol ia surgindo no horizonte, o brilho da estrela ficava mais visível e assim passaram a associar esse fenômeno com a inundação anual, criando o calendário solar (civil). Tornaram-se os primeiros a possuir um calendário com 365 dias no ano, sendo que o primeiro calendário lunar tinha 354 dias e serviu para a base do calendário solar (civil).

 

“[…]Haveria uma noite em que pouco antes do amanhecer, a estrela voltaria a ser visível, embora apenas momentaneamente, no horizonte a leste, um evento astronômico conhecido como seu crescente helíaco. Os egípcios consideravam Sírius como uma Deusa, Sopdet (Sótis). O crescente helíaco da Deusa geralmente ocorria mais ou menos na ocasião em que o período de água baixa terminava. Em decorrência, o crescente de Sótis passou a ser considerado como o prenúncio da cheia, proporcionando uma base mais satisfatória para um verdadeiro calendário” (HARRIS, 1993, p. 29)

 

Os egípcios tinham total consciência da influência dos acontecimentos naturais em suas vidas. Os ciclos da Lua, do Sol, das Estrelas e o fluxo do Nilo foram de suma importância para a formação dos calendários e de seus festivais. Ao contrário dos calendários que usamos hoje, os egípcios tinham pelo menos três sistemas diferentes, simultaneamente, ligados entre si através de uma série de eventos celestes. O egiptólogo Richar Parker denominou o calendário que regulamentava assuntos mundanos de “calendário civil”, muito embora as festividades fossem baseadas no calendário lunar.

 

Representação do nascer heliáco de Sirius (Francisco Javier Blanco González – 2006)

 

No calendário “civil”, o ano era dividido em 12 meses de 30 dias, sendo cada mês formado por 3 semanas de 10 dias, em um total de 360 dias por ano, acrescidos de 5 dias especiais para homenagear os deuses Hórus, Seth, Ísis, Osíris e Néftis. Esses 5 dias não estavam incluídos no calendário civil e, portanto, eram apenas dias religiosos. Eram chamados de Heriu-renpet e na teoria correspondiam ao décimo terceiro mês lunar.

 

“Como os dozes meses lunares totalizam em média 354 dias – cerca de onze dias menos do que o ano natural – sempre que o crescente de Sótis ocorria nos últimos onze dias do mês de wep renpet, o mês seguinte não era adotado como o primeiro do calendário, mas, sim como um mês intercalado ou extra; com isso, o ano seguinte tornava-se um “grande” ano de treze meses, cerca de 384 dias, o que mantinha o crescente de Sótis seguramente em seu mês.” (HARRIS, 1993, p. 29)

 

O calendário lunar era muito irregular e o mês era dividido em quatro semanas, chegando a ter semanas com oito dias. A fim de evitar essa irregularidade, os meses foram arredondados para 30 dias, e o calendário solar passou a ser utilizado com grande eficácia. Inicialmente, não havia nomes para os meses do calendário civil (solar). Depois os nomes foram sendo desenvolvidos, a maioria dos quais derivados do calendário lunar.

 

Calendário no Templo de Sobek e Haroeris (Kom Ombo) - Acervo Pessoal.

Calendário no Templo de Sobek e Haroeris (Kom Ombo) – Acervo Pessoal.

 

Para começarmos a entender os calendários egípcios, precisamos olhar para o aspecto mais importante dessa civilização: O Rio Nilo. Sem o Nilo, o Egito como conhecemos certamente não existiria. Quanto ao seu ciclo de águas, podia ser dividido em três partes: o período das cheias/inundações (Akhet), o período de plantio (Peret) e o período da colheita (Shemu). Foram esses ciclos que levaram à criação do calendário egípcio. Cada um desses ciclos durava quatro meses.

 

Akhet: Marcava o início do ano pela subida do Nilo. Esse evento era vital para a população, porque as águas deixavam para trás lodo fértil e umidade, que eram a causa da fertilidade do solo egípcio.

 

Hieróglifos representando a Inundação nas margens do Nilo.

 

 

Peret: Marcava o início do plantio, que só era possível devido à inundação no Nilo (Akhet).

 

Hieróglifos representando o Plantio.

 

 

Shemu: Época em que os egípcios faziam suas colheitas, também conhecida como a estação seca ou a estação do verão.

 

Hieróglifos representando a colheita.

 

 

Basicamente os egípcios tiveram três calendários, sendo dois lunares e um solar.

Para HARRIS (1993, p. 32, 33):

“Esses três são os únicos calendários para os quais há provas concretas. Particularmente atraente para os primeiros cronologistas foi a idéia de um ano fixo ou sotíaco, cujo primeiro dia sempre coincidia com o nascimento de Sótis, havendo um ano bissexto de 366 dias a cada quatro anos. Não há qualquer evidência de um ano assim e a necessidade apregoada para isso (a fim de que os festivais naturais, como o da colheita, pudessem ser celebrados nas ocasiões apropriadas) era plenamente atendida pelo calendário lunar original.”

 

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Autor: Lucas Ferreira

Fontes / Referências:

– BAINES, John; MALIK, Jaromir. Cultural Atlas of Ancient Egypt. London: Andromeda Oxford Limited, 2008.

– HARRIS, J. R. O Legado do Egito. Editora: Imago, 1993.

– HART, George. The British Museum Pocket Dictionary of Ancient Egyptian Gods and Goddesses. British Museum Press, 2001.

– MCDONALD, Angela. The Ancient Egyptians: Their Lives and Their World. Published by The British Museum Press, 2008.

– MORLEY, Jacqueline; SALARIYA, David. How Would You Survive As an Ancient Egyptian?.  London: Orchard/Watts Group, 1999.

– SHAW, Ian. The Oxford Illustrated History of Ancient Egypt. Oxford: Oxford University Press, 2000.


Sites / Referências:

http://www.reshafim.org.il/ad/egypt/

http://www.oxfordexpeditiontoegypt.com/

http://scriptorium.lib.duke.edu/papyrus/

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Sobre Administrador

Natural de Criciúma – SC, Graduado e Pós-Graduado em História pela UNIASSELVI – SC, com ênfase no Antigo Egito. Apaixonado pelos antigos egípcios e com planos de em breve estar definitivamente morando/trabalhando no Egito.