Hieróglifos Egípcios

A palavra hieróglifo vem do grego e significa “Escrita Sagrada”. É uma escrita formada por desenhos e geralmente utilizada para escrever fórmulas de oferendas, rituais de passagem, o cotidiano dos Faraós e tudo que era considerado sagrado para os egípcios.

[1] Apenas os escribas, os sacerdotes e os membros da realeza conheciam a arte de ler e escrever os sinais sagrados. A escrita hieroglífica é formada apenas de consoantes e semivogais. Ela pode ser escrita em colunas ou em linhas e inicia tanto da direita quanto da esquerda. O que vai determinar por onde começamos a ler é o lado para o qual os sinais apontam.


Tabela feita por Jean Champollion mostrando os Hieróglifos fonéticos


Os hieróglifos eram utilizados geralmente em templos, pirâmides, sarcófagos e em objetos de valor religioso. Para os assuntos do cotidiano era usado o hierático, uma versão mais simplificada dos hieróglifos, muito comum em papiros. Posteriormente surgiu o demótico, que em grego significa “popular”. A última etapa da antiga língua egípcia foi o Copta, que propiciou a chave para a decifração dos hieróglifos.

Entretanto, existem outras formas da escrita:

No 3º período intermediário algumas inscrições em monumentos foram escritas em hierático, o que constituiu também um ponto de partida para o hierático anormal, utilizado na região de Tebas, e para o demótico, escrita cursiva do Norte a partir de 700, e de todo o Egito por volta de 600. A escrita hierática pode sempre ser transcrita em hieróglifos, embora o resultado não seja o mesmo que um texto originalmente hieroglífico, mas o demótico é auto-suficiente, referindo-se, no máximo, ao hierático. Os hieróglifos cursivos desapareceram por volta do primeiro milênio antes de Cristo, enquanto a escrita hierática foi utilizada até ao fim em textos religiosos; a escrita demótica era utilizada para negócios, literatura e em ocasionais inscrições em pedra.

 

Os hieróglifos chegaram a ter cerca de 6900 sinais. Textos escritos nas épocas dinásticas continham mais ou menos 700 sinais, mas no declínio da civilização egípcia já eram usados milhares de hieróglifos, o que tornava a leitura muito difícil, fazendo com que o tempo se encarregasse de deixar a escrita em total esquecimento até a sua decifração por Jean Champollion.

Principais características dos Hieróglifos:


Organização: Os escribas agrupavam os hieróglifos de maneira que formassem um visual mais harmonioso. Em muitos registros, os desenhos de deuses e Faraós serviam já como Hieróglifo (significado/contexto), não precisando o escriba repetir o nome deles.

Espaçamento: Os hieróglifos não apresentavam espaços entre um sinal e outro. Para indicar onde iniciava e acabava uma palavra, eram usados alguns sinais [2] que determinavam a qual grupo tal palavra pertencia, dando também a ideia do término desta. A forma com que os escribas organizavam os sinais facilitava essa compreensão.

Beleza / Respeito: A beleza dos hieróglifos é o que chama a atenção de todos. A perfeição com que eram reproduzidos é fascinante e encanta pessoas que ainda hoje os usam das mais variadas maneiras (tatuagens, decoração, quadros…). Na escrita Hieroglífica havia também o respeito pelos deuses, que eram retratados sempre primeiro em alguns textos (nomes de Faraós eram mais comuns). É o que os egiptólogos chamam de “Inversão Respeitosa”.

 

Quer mais livros sobre o tema? Clique aqui.

Artigos, teses e matérias sobre o antigo Egito? Clique aqui.

Autor: Lucas Ferreira



[1] – Alguns estudiosos não chegaram a um acordo sobre a quantidade de pessoas que tinham acesso à escrita no Antigo Egito.
[2] – É um grupo de sinais (o assunto é melhor abordado nos textos seguintes sobre os hieróglifos – menu esquerdo)



Fontes / Referências:

– BAINES, John; MALIK, Jaromir. Cultural Atlas of Ancient Egypt. London: Andromeda Oxford Limited, 2008.

– ALLEN, J. P. Middle Egyptian: an introduction to the language and culture of hieroglyphs. Publisher: Cambridge University Press, 2001.

– BBC, Documentary. Chapter 6 – The Secrets of the Hieroglyphs (no Brasil: Capítulo 6 – O Segredo dos Hieróglifos)

Sites / Referências:

http://www.britishmuseum.org  (The Rosetta Stone, British Museum)

http://www.reshafim.org.il/ad/egypt/

– http://hieroglyphs.net

avatar

Sobre Administrador

Natural de Criciúma – SC, Graduado e Pós-Graduado em História pela UNIASSELVI – SC, com ênfase no Antigo Egito. Apaixonado pelos antigos egípcios e com planos de em breve estar definitivamente morando/trabalhando no Egito.