O Incenso no Antigo Egito

No antigo Egito, houve um amplo conhecimento das fragrâncias exóticas e da mistura de gomas e resinas aromáticas. Os egípcios usavam essas substâncias não só para fazer perfumes e cosméticos, mas também como uma parte importante de cerimônias religiosas.

Há muitos registros autênticos do uso do incenso em diversos períodos do antigo Egito. A queima de incenso estava muito ligada à adoração dos deuses, e grandes quantidades de incenso eram queimadas todos os dias nos templos em todo o território egípcio.

Na parte da manhã, queimava-se Olíbano (conhecido também como franquincenso, uma resina aromática); ao meio-dia, Mirra; e Kyphi (Kapet) à noite. Além disso, certos deuses foram associados a tipos específicos de incenso (por exemplo, Hathor foi fortemente associada com a Mirra), e outros tipos eram usados para cerimônias específicas.

 

Thutmosis III na frente de Amon-Rá queimando incenso em um santuário dedicado a Hathor – Deir el-Bahari.

 

O incenso mais popular era o Kapet (transliterado: kp.t), conhecido pelo nome grego Kyphi. Utilizado desde o Império Antigo, seu aroma agradável foi desenvolvido para curar picadas de cobras, mau hálito e asma. Uma receita para esse incenso foi registrada no Papiro de Ebers. A primeira referência a ele é encontrada nos textos das pirâmides: é listado entre os bens que o rei desfrutaria na vida após a morte. As instruções para a sua preparação e a lista de ingredientes são encontradas entre as inscrições nas paredes dos templos de Edfu e Dendera, no alto Egito. O sacerdote egípcio Manetho também escreveu um tratado sobre a Preparação das Receitas de Kyphi, mas nenhuma cópia desse trabalho sobreviveu.

 

 

A melhor classificação do Kyphi ainda é como um tipo de incenso, em vez de uma receita específica, já que os ingredientes listados em fontes antigas tanto egípcias quanto, posteriormente, gregas e sírias são variados, com apenas alguns ingredientes comuns entre elas. No entanto, muitos desses ingredientes continuam obscuros, contendo diversas especiarias que permanecem até hoje sem identificação. Os ingredientes mais comuns eram vinho, mel, uvas-passas, mirra, canela e incenso (árvore).

 

Receitas de Incenso - Templo de Edfu - Acervo pessoal.

Receitas de Incenso – Templo de Edfu – Acervo pessoal.

 

Uma passagem bem conhecida é a da expedição da rainha Hatshepsut, regente e Faraó na 18º Dinastia, que adorava mirra e incenso, enviada a Punt para que lhe trouxessem tais árvores. Nos baixos-relevos do templo de Deir el-Bahari ficou representada a expedição à região que era conhecida pelas suas riquezas, como a mirra, o incenso (árvore), o ébano, o marfim e os animais exóticos. A expedição parece ter sido pacífica, tendo os egípcios trocado os bens que desejavam. Nas paredes, ainda é possível ver as cenas que mostram cinco barcos indo para Punt, seguindo a rota do Mar Vermelho. Há passagens que mostram árvores de incenso e mirra, que teriam sido plantadas no recinto do templo de Hatshepsut em Deir el-Bahari.

 

Este relevo mostra árvores de incenso e mirra obtidas pela expedição de Hatshepsut a Punt.

 

Segundo REMLER (2010, p.93):

Durante o processo de mumificação, uma vez que o órgãos internos haviam sido removidos, franquincenso e mirra eram colocados no interior do corpo para ajudar a desidratação e para dar um odor agradável. Antes de a múmia ser envolta em bandagens de linho, o corpo era ungido com óleo e perfumado com franquincenso e mirra.

 

Abaixo seguem fotos de uma árvore de determinada espécie de Mirra que plantei aqui em casa. Na primeira foto a árvore já tem aproximadamente 2 metros e meio e são suas folhas que, depois de secas pelo sol, produzem um odor agradável e indescritível. Na segunda foto, as folhas já estão secas e prontas para serem queimadas. Às vezes as misturo com algum outro tipo de especiaria, como canela ou cravo.

 

Árvore de Mirra – Aprox. 2 metros e meio – Acervo pessoal.

 

Folhas de Mirra secas, pronta para serem usadas – Acervo pessoal.

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Autor: Lucas Ferreira

 

Fontes / Referências:

– BAINES, John; MALIK, Jaromir. Cultural Atlas of Ancient Egypt. London: Andromeda Oxford Limited, 2008.

– HART, George. The British Museum Pocket Dictionary of Ancient Egyptian Gods and Goddesses. British Museum Press, 2001.

– REMLER, Pat. Egyptian Mythology A to Z. 3. ed. Publisher: Chelsea House, 2010.

– SHAW, Ian. The Oxford Illustrated History of Ancient Egypt. Oxford: Oxford University Press, 2000.

 

Sites / Referências:

http://www.reshafim.org.il/ad/egypt/

http://scriptorium.lib.duke.edu/papyrus/

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Sobre Administrador

Natural de Criciúma – SC, Graduado e Pós-Graduado em História pela UNIASSELVI – SC, com ênfase no Antigo Egito. Apaixonado pelos antigos egípcios e com planos de em breve estar definitivamente morando/trabalhando no Egito.