Culinária: Comidas e Bebidas

Culinária: Comidas e Bebidas

 

Os egípcios eram privilegiados por terem o Nilo a sua disposição. De lá vinha a maioria da alimentação e os principais recursos para isso. As inúmeras fazendas às margens do rio proporcionavam ao povo uma comida rica e bem variada.

O trigo era plantado em grande quantidade e era o ingrediente base do principal alimento egípcio: o pão.

Segundo MILLARD (1975, p. 16, 17):

“O pão e a cerveja constituíam elementos básicos da alimentação egípcia. Para fazer o pão, a dona-de-casa ia buscar trigo no celeiro e moia-o entre duas pedras para o transformar em farinha. Era um trabalho muito duro. Depois, misturava a farinha com água e fazia pães de muitos formatos e tamanhos. Algumas vezes, adicionava-lhes um tempero, como o alho. Se a dona-de-casa desejava fazer cerveja, cozia os seus pães muito levemente. Depois esmigalhava-os, misturava-os com água e deixava fermentar a mistura que se transformava em cerveja. A mistura tinha de ser coada, antes de poder ser bebida.”

 

Parte de uma das Paredes da Tumba de Nakht – Mostrando entre outras coisas a colheita de uva

 

As vinhas eram organizadas para crescerem sobre suportes de madeira que facilitavam a sua colheita, do mesmo modo que ocorre ainda hoje. Quando as uvas estavam prontas para a colheita, eram recolhidas e colocadas em um recipiente, geralmente feito de pedra, onde se pisava sobre elas para obter o caldo, que escorria para um reservatório secundário. Os trabalhadores recolhiam o suco obtido e o colocavam em potes para o processo de fermentação. Além da cerveja e do vinho, os egípcios tomavam leite e água.

Os egípcios fabricavam queijos, criavam gado, carneiros e cabras. Os vegetais também tinham um papel importante, e as pessoas costumavam consumir alface, pepino e feijão. O açúcar era obtido do mel e servia para adoçar alguns alimentos e bebidas. Por acreditarem que depois da morte iriam ter as mesmas necessidades da vida, depositavam comida nas tumbas a fim de garantir o sustento eterno.

 

Tumba do Escriba Menna (TT 69) – Relatando o processo de colheita – Acervo Pessoal.

 

 

“Uma vez cortada as espigas, elas eram recolhidas em cestos que, transportados a pé ou no lombo de asnos, eram levados a eiras. A debulha era feita com bois, ovelhas ou cabras que pisoteavam as espigas, esmigalhando-as. As cascas eram trabalhosamente separadas por meio de ventilação ou peneiração. Os grãos eram depositados em celeiros. Há representações frequentes de cenas onde parreiras são regadas, e seus cachos colhidos e pisados […] Rótulos hieráticos em jarras de vinho, encontrado nas escavações permitiram que conhecêssemos nomes de muitos vinhedos[…]” (BAINES; MALIK, 2008, p.191)

 

A maior parte da população comia peixe normalmente. O Nilo transbordava de peixes, fazendo com que os egípcios pudessem desfrutá-los frescos, secos ou salgados. A população de classe baixa às vezes pagava por algumas espécies de aves e gado. Devido ao seu alto valor, a carne era mais comum nas mesas dos ricos. A classe baixa geralmente só comia carne durante alguma festa.

Os óleos e gorduras utilizados para preparar a carne eram bem variados. Extraídos de cabras, raízes, plantas e sementes, eram utilizados para fritar ou cozinhar alimentos como legumes e carnes. As pessoas mais pobres cozinhavam no chão de suas casas. Já as pessoas mais ricas cozinhavam em uma parte separada dos outros cômodos da casa, para evitar que a fumaça entrasse, e dispunham de serviçais para lhes preparar e servir a comida. Cozinhava-se sobre fogueiras, assim a carne tinha que ser assada em espetos ou estufas, em panelas. O pão era cozido em recipientes de cerâmica colocados em volta do fogo. Os antigos egípcios comiam com as mãos, prática que até hoje é vista nas famílias do vale do Nilo.

 

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Autor: Lucas Ferreira

 

Fontes / Referências:

– BAINES, John; MALIK, Jaromir. Cultural Atlas of Ancient Egypt. London: Andromeda Oxford Limited, 2008.

– HART, George. The British Museum Pocket Dictionary of Ancient Egyptian Gods and Goddesses. British Museum Press, 2001.

– MCDONALD, Angela. The Ancient Egyptians: Their Lives and Their World. Published by The British Museum Press, 2008.

– MILLARD, Anne. The Egyptians (Peoples of the past). London: MacDonald & Company, 1975.

– MORLEY, Jacqueline; SALARIYA, David. How Would You Survive As an Ancient Egyptian?.  London: Orchard/Watts Group, 1999.

– SHAW, Ian. The Oxford Illustrated History of Ancient Egypt. Oxford: Oxford University Press, 2000.

 

Sites / Referências:

http://www.reshafim.org.il/ad/egypt/

http://www.oxfordexpeditiontoegypt.com/

http://scriptorium.lib.duke.edu/papyrus/

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Sobre Administrador

Natural de Criciúma – SC, Graduado e Pós-Graduado em História pela UNIASSELVI – SC, com ênfase no Antigo Egito. Apaixonado pelos antigos egípcios e com planos de em breve estar definitivamente morando/trabalhando no Egito.