Transliteração dos Hieróglifos

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Como vimos no link “Introdução aos Hieróglifos“, existem três tipos de Fonograma: unilíteros, bilíteros e trilíteros. Os mais importantes são, sem dúvida alguma, os unilíteros, que também são chamados por alguns autores de “sinais alfabéticos”. Uma dica bem interessante para quem está aprendendo é sempre ter em mãos a tabela dos unilíteros. Isso porque a transliteração dos hieróglifos egípcios consiste em nada mais do que transformar os sinais egípcios em sinais alfabéticos. Há vários sistemas de transliterações em uso. Cada um possui um conjunto de caracteres um pouco diferente.

Em 1957 um egiptólogo britânico chamado Alan Gardiner criou um sistema de classificação que é uma referência nos estudos dos hieróglifos egípcios. Esse sistema inclui caracteres que não estão no alfabeto inglês e tem aproximadamente 750 sinais, que são divididos em categorias. Gardiner associou cada categoria a uma letra do alfabeto (A – B – C – D…) e cada sinal é diferenciado por um número (A1 – B1 – C1 – D1…). O sistema desenvolvido por Gardiner tornou-se a base para a maioria dos programas que trabalham com hieróglifos egípcios.

 

 

Já em 1988, com a crescente onda dos computadores, um grupo de estudiosos se reuniu para publicar a criação de um sistema universal para codificação dos textos em hieróglifos no computador. O sistema é hoje popularmente conhecido como o Manuel de Codage, abreviado para MdC. Nesse sistema todos os sinais equivalem a alguma letra do alfabeto inglês.

Apesar de o sistema permitir uma transliteração simples, ele também possui um complexo método para a codificação eletrônica, com características que vão da organização até o tamanho de hieróglifos individuais. Com ele também se pode criar cartuchos, riscos indicando onde o hieróglifo está danificado, manipular os sinais (como rotação), escolher eles pelo código de Gardiner ou pelo seu valor fonético, entre outras facilidades. (Clique na imagem para ampliá-la)




Observe que no sistema de Gardiner há sinais que não temos no nosso alfabeto, já no Manuel de Codage é usado o chamado caso sensitivo, que diferencia letras minúsculas e maiúsculas, com um sistema totalmente habituado para os padrões atuais.

Vamos ver um exemplo simples de transliteração:

 

 

No primeiro sinal temos um bilítero. O segundo sinal é um complemento fonético e não é transliterado, como vimos no link “Introdução aos Hieróglifos”. Já o terceiro sinal é um unilítero que indica que se trata de uma palavra feminina. Para os egípcios os nomes de locais e países em sua grande maioria são considerados palavras femininas. O quarto e último sinal é o determinativo de cidade ou de local. Kemet é o nome dado ao Antigo Egito e significa “terra escura” ou “terra negra”. O ponto antes da letra “T” é usado por alguns estudiosos na transliteração para separar o gênero e o número da palavra.

Há alguns estudiosos que não gostam de transliterar os hieróglifos, alegando que isso não é necessário para entender o contexto da ação. No meu ponto de vista, sem a transliteração fica quase impossível saber visualmente do que trata determinado texto, já que só com a transliteração será possível consultar dicionários de hieróglifos disponíveis atualmente.


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Autor: Lucas Ferreira



Fontes / Referências:

- ALLEN, J. P. Middle Egyptian: an introduction to the language and culture of hieroglyphs. Publisher: Cambridge University Press, 2001.

- BAINES, John; MALIK, Jaromir. Cultural Atlas of Ancient Egypt. London: Andromeda Oxford Limited, 2008.

- BBC, Documentary. Chapter 6 – The Secrets of the Hieroglyphs (no Brasil: Capítulo 6 – O Segredo dos Hieróglifos)


Sites / Referências:

- http://www.reshafim.org.il/ad/egypt/

http://hieroglyphs.net


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Sobre Administrador

Natural de Criciúma – SC, Pós-Graduado em História pela UNIASSELVI – SC, com ênfase no Antigo Egito. Escritor do Livro "A Lei do Sofrimento". Apaixonado pelo Antigo Egito e com planos de em breve estar definitivamente morando/trabalhando no Egito.