Como fazer uma múmia: um guia passo-a-passo

Hoje à noite no Channel 4 (www.channel4.com) os telespectadores poderão ver o ex-taxista Alan Billis se tornar a primeira múmia do século 21. Billis doou seu corpo para o projeto bastante incomum após descobrir que tinha câncer terminal. É uma história intrigante e a ciência por trás é igualmente fascinante.

Mumificando Alan: Último segredo do Egito segue uma equipe liderada pelo Dr. Stephen Buckley que tentaram recriar as práticas únicas dos antigos egípcios da 18ª dinastia que eram altamente qualificados em fazer múmias. Dr. Buckley deu-nos o seu guia passo-a-passo para fazer uma múmia moderna..



Antes da mumificação:

No Antigo Egito o processo de mumificação só começava quatro dias após o sujeito ter morrido. Um processo de embalsamamento de curto prazo usando vinho de palma (ou, no caso de Alan, um de 12 por cento de solução de álcool) ajudava a preservar o corpo do falecido – muito provavelmente um membro da família real.


Remoção de órgãos

No quarto dia, os órgãos internos de Alan foram removidos, extraídos com a mão (pelo cientista forense Prof. Peter Vanezis) através de uma incisão única de quatro polegadas. O coração, acreditavam os antigos egípcios ser o repositório da inteligência, foi deixado intacto, um requisito para uma alma entrar na vida após a morte. Tradicionalmente, a pessoa responsável por fazer a incisão era vista como tendo o corpo contaminado e era simbolicamente expulsa com pedras. Mas Buckley foi rápido em apontar que a equipe que estava trabalhando em Alan não tinha este nível de precisão: “Nós não vamos atirar pedras em Peter”, brincou o Dr. Buckley.

Juntamente com o seu coração, o cérebro de Alan também foi deixado intacto, em linha com as práticas da 18ª dinastia. Em períodos anteriores, onde os tratamentos utilizavam ​​sal seco, o cérebro teria sido removido, mas a solução de água salgada foi capaz de preservá-lo em mumificações posteriores. Um mistério ainda acerca da prática, no entanto “Durante a última parte da 18ª dinastia, os homens tiveram seus cérebros removidos, mas as mulheres não,” diz o Dr. Buckley. “Essa é uma diferença de gênero absoluta – mas ainda estamos perplexos por qual seria o motivo. Por alguma razão as mulheres precisavam de seus cérebros (na vida após a morte) e os homens não..”


A esterilização e a embalagem do corpo

A cavidade do corpo foi lavada com a solução antibacteriana do álcool e resina de pinheiros. Pacotes de linho cheio de serragem, mirra e especiarias foram colocados no interior do corpo para manter a forma do abdômen. A incisão foi então costurada.


O revestimento protetor

Em seguida, o corpo era revestido por um protetor – às vezes de cera de abelha, às vezes de ouro. Orçamentos de TV são limitados, Alan tem cera de abelha. No tempo dos egípcios, a cera aquecida teria sido pintada com pincéis por profissionais altamente qualificados. A única maneira de Buckley e seus aprendizes de fazer múmias poderem igualar o acabamento realizado por seus colegas antigos era pulverizar a cera.


O banho de natrão

O processo de mumificação egípcia usou o natrão, que era um composto natural de sal para preservar o corpo. Mas as gerações anteriores a 18ª dinastia usavam sais seco. Já posteriormente era dissolvido o natrão em água e aplicado na múmia a solução resultante. Esta foi a fase do processo em que o Dr. Buckley ficou mais interessado ​​em re-criar. O Corpo de Alan foi cuidadosamente abaixado em um recipiente com solução de natrão. Pela osmose, os sais entrariam no tecido mole e lentamente transformariam em uma substância mais resistente à deterioração.

Os egípcios acreditavam que o estômago, intestinos, fígado e pulmões também fossem necessários após a morte. Naquela época eram preservados separadamente em seus próprios reservatórios chamados de “vasos canópicos”, cada um vigiado por um deus diferente. Os órgãos extraídos de Alan foram tratados de forma similar, colocados em recipientes separados e preenchido com a solução de natrão.

O corpo de Alan permaneceu submerso na solução por 35 dias – mas não sem haver uma luta. “Se você pensar no Mar Morto, onde você pode flutuar ao ler um livro…”, diz Buckley: “Bem, o corpo quer chegar à superfície.” Alan não foi exceção. “Era fundamental que o seu corpo ficasse submerso. Assim que qualquer parte dele subisse para a superfície, iria imediatamente começar a oxidação, o que causa escurecimento da pele.”


Secagem e acondicionamento

Uma vez removido do banho de natrão, o corpo de Alan foi armazenado em um ambiente selado que combinava com o calor seco do clima egípcio. Depois de duas semanas, o corpo tinha perdido grande parte da água residual e estava pronto para ser envolto em bandagens de linho. Tiras de linho foram cortadas para preencher as várias partes do corpo e cada camada era selada com cera amolecida e resina de pinheiro. O corpo foi então deixado para secar por mais seis semanas, período durante qual o Dr. Buckley e sua equipe fizeram vários exames de raios-x que revelaram que a preservação estava indo conforme o planejado.

O estágio de cobrir a múmia teria sido a última vez em que os embalsamadores egípcio colocaram os olhos no falecido. Mas, três meses após o início do processo meticuloso de mumificar Alan, Buckley e cia removeram as bandagens do rosto para ver como eles tinham ido. “A idéia da mumificação para os egípcios era de que a alma seria capaz de reconhecer o corpo quando ele visita-se-o da vida após a morte”, diz Buckley. “Quando nós olhamos Alan após 90 dias, era definitivamente ele.”

 

Fonte: http://www.radiotimes.com/news/2011-10-24/how-to-make-a-mummy-a-step-by-step-guide

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Sobre Administrador

Natural de Criciúma – SC, Graduado e Pós-Graduado em História pela UNIASSELVI – SC, com ênfase no Antigo Egito. Apaixonado pelos antigos egípcios e com planos de em breve estar definitivamente morando/trabalhando no Egito.