No Brasil / Museus

Curitiba – Paraná

Museu Egípcio e Rosacruz: O Museu Egípcio e Rosacruz foi criado em 1990 e possui a missão de proporcionar ao seu visitante uma viagem à antiguidade egípcia, através do roteiro de suas exposições de longa duração. Ele compreende a iniciativa da Ordem Rosacruz – AMORC de contribuir para o processo educativo cultural da comunidade onde se encontra inserido.

É formado por réplicas, que visualmente causam a mesma impressão que as peças originais expostas em diversos museus do mundo. Esses objetos foram elaborados pelos artistas plásticos Eduardo D’Ávila Vilela, Luis César Vieira Branco, Tathy Zimmermann, Christopher Zoellner, e contribuição dos artistas Moacir Elias Santos e Aylton Tomás. Além disso, possui em seu acervo a múmia de uma dama egípcia, apelidada de Tothmea, e que provavelmente habitou o Antigo Egito há 2500 anos atrás. Também possui um espaço dedicado a mostras temporárias de diversas temáticas, sempre visando os aspectos educativo-culturais.

Tothmea:

Tothmea foi uma egípcia que viveu provavelmente no final do Terceiro Período Intermediário, ou no início do Período Tardio. Não se sabe muito sobre sua vida, e até mesmo seu nome verdadeiro não é conhecido. Ela recebeu o apelido de Tothmea de um senhor chamado Farrar, em 1888, como homenagem aos faraós Tothmés (também chamados Tutmés ou Tutmósis), os quais governaram o Egito durante a 18ª Dinastia.

De acordo com uma das fontes escritas consultadas, datada de 1888, havia uma inscrição no ataúde de Tothmea a qual mencionava que ela teria se dedicado ao serviço da deusa Ísis. Suas funções não eram propriamente sacerdotais, mas não podemos descartar a possibilidade de que ela tenha atuado com cantora ou até mesmo musicista de um santuário da deusa.

Tothmea foi descoberta numa necrópole em Tebas ocidental, na segunda metade do século 18. Em 1885, um secretário do governo americano, Samuel Sulivan Cox, que visitava o Egito, recebeu duas múmias do khediva Mohamed Pasha Tewfik (o khediva, ou kedive, era o título do vice-rei do Egito durante o domínio turco, de 1867 a 1914). Ao retornar para Washington, em 1886, doou uma das múmias ao Smithsonian Institution, ainda no mesmo ano. A outra, chamada posteriormente Tothmea, foi adquirida por H. C. Farrar, diretor do Museu George West, em Round Lake, Estado de Nova York. Em agosto de 1888, a múmia foi parcialmente desenfaixada num auditório na Vila de Round Lake. Estavam presentes ao procedimento o Prof. Lancing, Capitão Rogers, Bispo Newman e o dr. Farrar.

Tothmea permaneceu em exposição no Museu George West até 1918. No ano seguinte, a instituição foi fechada. O acervo do Museu foi desfeito e a múmia acabou num celeiro sob a responsabilidade de um senhor chamado Garnsey. Nesta época, a múmia era vista “perambulando” por Round Lake, pois garotos costumavam levá-la a passeio em uma carruagem. Provavelmente na década de 1930, um professor chamado Frankling Clute se responsabilizou pela curadoria de Tothmea. Em 1939, ele decidiu deixá-la no Museu Schenectady. Lá, a múmia foi exposta algumas vezes, mas acabou sendo esquecida, guardada num porão. Apenas após 1975, ou seja, cerca de 36 anos depois, o diretor George H. Cole decidiu exibi-la num programa educativo de uma estação de televisão local. Era intenção do Museu Schenectady devolver Tothmea a seu antigo curador, o Sr. Clute, mas os responsáveis não conseguiram encontrá-lo.

Em 1978, a historiadora Mary Hesson entrou em contato com o Museu Schenectady a fim de que Tothmea fosse emprestada para Round Lake. Com a autorização concedida, no dia 21 de março, a múmia foi levada para o gabinete de Hesson, onde foi exibida para estudantes. Em agosto do mesmo ano, devido a uma exposição, a múmia retornou ao Museu e, terminando a exposição, voltou para o gabinete de Hesson, onde ficou até 1984. Em março do mesmo ano, Tothmea foi finalmente devolvida para a senhora Inez Sewell, filha do então falecido Sr. Clute. Durante um tempo, a Sra. Sewell tentou achar uma instituição que desejasse receber a múmia, mas sem sucesso. Foi apenas em 24 de março de 1987 que Tothmea foi adquirida pelo Museu Rosacruz de San Jose, na Califórnia. Depois de permanecer sete anos no Museu, em 10 de abril de 1995, a múmia foi doada ao Museu Egípcio e Rosacruz de Curitiba, Paraná, na sede da Grande Loja de Língua Portuguesa da Ordem Rosacruz – AMORC. Desde essa data, permanece em exposição neste Museu, sendo a única múmia autêntica do sul do Brasil; até Tothmea ser trazida ao país, só o Rio de Janeiro possuía um acervo de múmias autênticas.

Para servir de tumba para a múmia Tothmea, o Museu Rosacruz de Curitiba construiu uma antecâmara e uma câmara funerária, ambas ricamente decoradas com pinturas murais e inscrições inspiradas nas tumbas tebanas do Novo Império. A antecâmara apresenta cenas cotidianas como os portadores de oferendas, festas com músicos e musicistas tocando instrumentos da época, representações da colheita e joeiramento de trigo.

Na entrada para a Câmara Funerária, onde repousa a múmia, figuram duas representações de Anúbis, na forma de chacal, protegendo a passagem. A Câmara Funerária exibe cenas religiosas como oferendas feitas aos deuses, adoração a uma das principais tríades egípcias (formada por Osíris, sua esposa Ísis e o filho Hórus), a preparação da múmia pelo deus Anúbis e o Julgamento do Morto.

No teto abobadado da Câmara Funerária, há uma representação do mito da criação do mundo, originário da cidade de Heliópolis. A decoração das duas câmaras foi elaborada e executada pelo artista plástico paranaense Luiz César Vieira Branco.

Em 1997 através de uma parceria do Museu Egípcio e Rosa Cruz com a Galeria de Egiptologia de Ponta Grossa foi criado um projeto de pesquisa pioneiro denominado “Projeto Tothmea”. O projeto inclui diversas etapas (análise de documentos históricos, estado atual de conservação, exame de tomografia axial computadorizada entre outros.) que contou com o apoio de diversos profissionais: Conhece melhor o projeto Tothmea, Clicando Aqui

Abaixo segue algumas fotos da Nina Filippi em sua visitação ao Museu da AMORC em Curitiba.

INFO:

Ordem Rosacruz, AMORC – Museu Egípcio e Rosacruz
Rua Nicarágua, 2641 – Curitiba, PR, Brasil – Fone: (041) 3351-3024

Site do Museu: www.amorc.org.br


Rio de Janeiro – RJ

Museu Nacional/UFRJ: O Museu Nacional/UFRJ está vinculado ao Ministério da Educação. É a mais antiga instituição científica do Brasil e o maior museu de história natural e antropológica da América Latina. Criado por D. João VI, em 06 de junho de 1818 e, inicialmente, sediado no Campo de Sant’Anna, serviu para atender aos interesses de promoção do progresso cultural e econômico no país.

Originalmente denominado de Museu Real, foi incorporado à Universidade do Brasil em 1946. Atualmente o Museu integra a estrutura acadêmica da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O acervo egípcio do Museu Nacional é o maior da América Latina e provavelmente o mais antigo das Américas. A maior parte dos objetos data de 1826, quando o comerciante italiano Nicolau Fiengo trouxe de Marselha uma coleção de antiguidades egípcias proveniente das escavações do famoso explorador italiano, Giovanni Battista Belzoni, que escavou a Necrópole Tebana, atual Luxor, no Templo de Karnak. Os objetos foram arrematados em leilão pelo Imperador D. Pedro I, que os doou ao então Museu Real, fundado em 1818.

Abaixo conheça algumas da peças que compõe o acervo do Museu.

Detalhe da Lateral do sarcófago do Sacerdote Hori:

Info: Vigésima Primeira dinastia – Madeira policromada; Tebas ocidental – Egito; sarcófago com 2,15 m de comprimento:





Detalhes: Esta cena de cosmogonia mostra a deusa Nut, personificação da abóbada celeste, despida e arqueada sobre o deus Geb, seu esposo e personificação da Terra. Separando os dois está Shu, o deus do ar, ajudado por dois deuses com cabeça de carneiro, representando os ventos. Nas crenças funerárias egípcias, tal cena era associada ao conceito de ressurreição: o morto se transformava em estrela no interior do corpo de Nut.


Estela de SENUSRET-IUNEFER

Info: Décima Segunda dinastia – Calcário policromado. Procedência provável: Ábidos, Egito. Tamanho: 60,8 x 45,25 cm.





Detalhes: Sentado em uma cadeira diante de uma mesa de oferendas vê-se Senusret-Iunefer. Na outra extremidade, sentada no chão, está sua mãe, segurando uma flor de lótus. Sob esta cena estão representados, em duas fileiras, homens e mulheres da sua família. Objetos que pertenceram a Senusret-Iunefer encontram-se em vários museus pelo mundo afora, entre eles uma estela semelhante a esta que atualmente está no Museu Egípcio do Cairo. Ambas as estelas originalmente ficavam na capela votiva da família em Ábidos.


Detalhe do Rosto do Sarcófago de SHA-AMUN-EN-SU

Info: Baixa época, cerca de 750 a.C. Madeira estucada e policromada Tebas ocidental, Egito Antigo 1,58 m.





Detalhes: Em 1876, quando de sua segunda visita ao Egito, Dom Pedro II foi presenteado pelo Quediva Ismail com o belo esquife pintado da “Cantora de Amon”, Sha- Amun-en-su, que veio a manter em seu gabinete até a Proclamação da República, em 1889 quando o esquife passou a ser incluído na coleção do Museu Nacional. Posteriormente, a coleção egípcia foi acrescida de outros objetos por meio de doações ou compras de particulares, chegando a cerca de 700 objetos. O exame tomográfico realizado na múmia de Sha Amun en su revelou a presença de amuletos no interior do sarcófago, entre eles um escaravelho-coração.

Clique Aqui e veja outras peças do acervo do Museu Nacional do RJ.

INFO:

Museu Nacional/UFRJ Quinta da Boa Vista, São Cristóvão CEP 20940-040 Rio de Janeiro, RJ, BRASIL Telefone: (21) 2562 – 6900
Site do Museu: www.museunacional.ufrj.br

* As informações dos museus foram retiradas de suas respectivas páginas.


AntigoEgito.org agradece a Cecilia Pires por ter dado a idéia de termos uma área sobre peças originais do Antigo Egito e a Lucia Maria Coimbra por ter fornecidos informações sobre Tothmea.

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Sobre Administrador

Natural de Criciúma – SC, Graduado e Pós-Graduado em História pela UNIASSELVI – SC, com ênfase no Antigo Egito. Apaixonado pelos antigos egípcios e com planos de em breve estar definitivamente morando/trabalhando no Egito.